Por que Campinas pode virar a capital brasileira dos Data Centers

Campinas já foi apelidada de "Cidade das Andorinhas". O nome vem de uma crônica de Rui Barbosa, que ficou fascinado ao visitar o município e testemunhar o espetáculo da revoada das andorinhas na região central, ave migratória que viajava da América do Norte até o interior paulista. Hoje, mais de um século depois, um movimento parecido começa a se repetir, não de aves, mas de investimento: o dos Data Centers.


Um mercado ainda pequeno no Brasil

Os Estados Unidos têm 4.088 Data Centers em operação. O Brasil tem pouco mais de 200. Só na Virgínia do Norte, americana, região conhecida como Data Center Alley, existem mais de 600 instalações mapeadas, o maior polo de infraestrutura digital e tráfego de internet do mundo. A distância entre os dois países mostra o tamanho da oportunidade que ainda está por vir no Brasil.


A vantagem energética brasileira

Estados Unidos e Europa enfrentam gargalos na geração de energia e dependência de combustíveis fósseis. O Brasil, ao contrário, tem uma matriz elétrica majoritariamente renovável, hídrica, eólica e solar. Isso permite que grandes empresas de tecnologia atendam suas metas globais de descarbonização (ESG) instalando operações por aqui, uma vantagem competitiva real diante dos mercados mais maduros. Falta o Brasil aprovar o REDATA e destravar de vez essa competitividade.


E a água deixou de ser um problema

O consumo de água em Data Centers modernos é hoje bastante limitado, graças a sistemas de refrigeração em circuito fechado. A preocupação que existia há alguns anos com o uso intensivo de água nesse tipo de operação perdeu força com a evolução da tecnologia de resfriamento.


A energia que está chegando

A Subestação Campinas Tanquinho passou por uma troca de transformadores para ampliar sua capacidade. Uma nova linha de transmissão, a Marimbondo II, construída pelo consórcio Coqueiros/Elecnor, vai interligar a Usina Hidrelétrica de Marimbondo à Subestação de Campinas. São 500 kV e 1.500 MW adicionais, com obras adiantadas e previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2027, energia suficiente para viabilizar diversos projetos de Data Center na região.


Um parque tecnológico em planejamento

A Prefeitura de Campinas estuda a criação de um Parque Tecnológico de Data Centers, com no mínimo 1.000 hectares, às margens da SP-340 e próximo da subestação de energia. A ideia é concentrar, num só lugar, zoneamento adequado e infraestrutura pronta para esse tipo de investimento, seguindo a lógica de que as melhores áreas para Data Centers são as que ficam próximas da energia, no eixo entre Campinas e Jaguariúna.


Um ecossistema já pronto para isso

A região se destaca pelos backbones de fibra óptica que conectam e transportam tráfego de dados entre cidades, estados e países, pelo fácil acesso viário e pela proximidade com centros como o Polo de Tecnologia Ciatec, a Unicamp, a PUC-Campinas, a Facamp, o CPQD e o complexo LNLS, responsável pelo Sirius, um dos aceleradores de partículas mais avançados do mundo para investigação da matéria.


Se Campinas avançar nessa direção, a cidade tem hoje as condições para se tornar, na prática, a capital brasileira da Inteligência Artificial.

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